

Com os máxis editados na sua própria editora e com o seu álbum em conjunto com o Prins Thomas, houve por parte dos média quem falasse numa nova renovação do “Disco”. Sente o mesmo?
Sinceramente não sei…se olharmos para aquilo que foi a década de 90, artistas como os Idjut Boys, Faze Action e o Daniel Wang, lançaram discos idênticos. Eu apenas sou mais um a fazer “Disco” contemporâneo.
Por falar em Daniel Wang, além de ser um dos produtores mais conceituados da cena “Disco” da actualidade, ele também contribui nesta compilação escrevendo notas no booklet do disco. Como nasceu esse convite?
Ele foi uma das razões pela qual eu decidi estabelecer a minha própria editora. Quando eu descobri a sua música, através dos discos que consegui arranjar da Balihu, apercebi-me que era possível estabelecer a minha própria editora e editar a minha própria música. Fiquei extremamente contente quando ele disse que aceitava escrever as notas para o booklet do meu álbum.
Quando decidiu fazer esta compilação, com temas pertencentes aos máxis que editou na Feedelity, decerto que recebeu muitos convites por parte de outras editoras importantes. Porque decidiu fazer um lançamento em conjunto com a editora Smalltown Supersound?
É verdade que tive algumas ofertas, mas decidi fazer este lançamento em conjunto com a Smalltown Supersound, porque acredito que posso continuar independente e livre. Provavelmente vou vender menos discos, mas talvez num futuro próximo não consiga manter essa independência.
Tem planos para editar mais algum material na Smalltown Supersound?
Sim…talvez edite o meu novo álbum em 2007 ou 2008, mas quanto aos máxis vou continuar a lançar na Feedelity. Além disso faço planos para editar um novo máxi em Fevereiro na Feedelity, enquanto a Eskimo vai lançar um cd com as versões e outtakes dos singles do meu álbum em conjunto com o Prins Thomas. E depois quero fazer algumas remisturas.
Apesar de ser uma editora que serve apenas para lançar os seus máxis, a Feedelity não deixa de ser uma das editoras de “Disco” contemporâneo mais respeitadas do momento. Porque decide apenas lançar o seu material e não o de outros artistas?
Apenas porque não quero ter mais trabalho do que já tenho actualmente. Existem muitas obrigações, quando se edita música de outras pessoas, mas talvez um dia eu mude de ideias. Existe por aí muito boa música, e de tempos a tempos, eu recebo música de pessoas que nem conheço. Em alguns casos, digo a essa pessoa para mandar a demo para uma editora que eu sei que pode estar interessada naquela música, e tento sempre dar um feedback construtivo.
O máxi “I Feel Space” vendeu 17 000 cópias, o que não deixa de ser um número impressionante para os dias que correm, sobretudo no formato de vinil. Sendo um número anormal, e com a crise instalada no seio da indústria discográfica, pensa que será possível no futuro pequenas independente como a Feedelity vender discos, sobretudo em vinil?
Na verdade não é um número normal, e superou aquilo que eu estava à espera de vender. Mas eu acredito que as pequenas editoras que optam por lançar no formato de vinil vão sobreviver à crise. Tem tudo a ver com a boa música. Se não for boa, a editora não sobreviverá muito tempo.
Qual é a sua opinião sobre fenómenos como a venda de música na Internet e o MySpace? Pensa que são novas formas de se ouvir e promover música ou a cópia física (o vinil) pode fazer frente a estes fenómenos?
Quanto à loucura do MySpace, penso que só o tempo irá mostrar o que vai acontecer. Mas eu acredito em diferentes formatos para a música. O Mp3 é um formato muito prático, e eu estou completamente agarrado ao meu iPod. Mas também acredito que o vinil vai ser sempre muito especial para algumas pessoas, porque não é possível duplicá-lo. Também penso que algumas pessoas preferem ter a cópia física da música que realmente gostam. O mp3 não é nada de especial, a não ser, pelo facto de se tornar extremamente prático.
Desde 2001 que artistas como os Kings of Convenience, Royksopp, Sondre Lerche, Nils Peter Molvaer, Biosphere entre outros, ajudaram não só a exportar, como a dar uma nova visibilidade à música feita em solo norueguês. Essa ideia de exportação e visibilidade parece continuar, mas agora com a nova cena “Disco”, e com novos artistas como o Todd Terje, Kango Stain Massive, Bjorn Torske, Prins Thomas, Rune Lindbaek, só para citar alguns nomes. O que pensa disto?
Sempre que a música é boa pode acontecer isto, e é óptimo que a música norueguesa capte atenções de todo o mundo. A Noruega nunca teve a mesma tradição de exportar música como os nossos vizinhos suecos exportam, e visto que, vivemos num país muito pequeno, é fantástico receber uma audiência tão grande.

Na impossibilidade de apresentar o álbum que lançou com o Prins Thomas ao vivo e com músicos, tem optado por fazer dj set sozinho ou na companhia do Prins Thomas, um pouco por todo o mundo. Nessas actuações faz-se acompanhar de um laptop. Como tem sido as reacções do público nos diferentes lugares por onde passa, e se tem alguns planos em termos de futuro para apresentar o álbum ao vivo?
Na maior parte das vezes somos muito bem recebidos, e é fantástico tocar música nova para pessoas um pouco por todo o mundo. Quando se toca ao vivo é mais difícil, porque envolve muito trabalho para organizar uma tounée. Mas pretendo fazê-lo um dia, mas este ano não será de certeza. De qualquer maneira, é fantástico tocar numa banda, muito melhor do que fazer um dj-set com um laptop.
Além de contar já com uma discografia extensa, tem-se mantido muito activo no que toca a remisturas para outros artistas. Existe alguma que lhe tenha dado mais prazer em fazer?
Eu agora estou a começar a trabalhar numa remistura de um tema clássico dos anos 80 “Just na Illusion” dos Imagination, para ser lançada no principio do ano, e com a qual eu estou muito entusiasmado. Eu decidi parar de fazer muitas remisturas este ano, porque senti-me cansado, e porque queria fazer alguma música original. Mas agora, voltei a ganhar inspiração de novo, o que é óptimo.
Presumo que seja um grande consumidor de música e como tal, um coleccionador de discos atento. Que tipo de música ouvia quando tinha 20 anos e como nasceu o seu interesse por música de dança?
Eu costumava ouvir heavy-metal, jazz de fusão e também Bob Dylan e Hank Williams, isto quando tinha 20 anos. Depois comecei a aperceber-me que os meus amigos ouviam uma coisa chamada “house-music”, e pensei que talvez seria bom abrir os meus horizontes musicais. Por isso, precisei de pelo menos de dois anos para perceber o que era tudo isto, e ao mesmo tempo comprei um sampler. Não tenho muitos discos, mas gosto de coleccionar tudo desde pop, rock, disco, kraut, folk e electrónica.
Uma das suas músicas mais brilhantes é a faixa “Music (In My Mind)”, e aquela que se aproxima mais do universo da canção pop. Tem planos no futuro, para fazer um álbum com uma vertente mais pop?
Sou um grande fã de toda a boa música pop, e é daí que vem grande parte da minha inspiração. Eu adoro música pop dos anos 70 e 80, mais do que qualquer outra coisa. Talvez nas minhas próximas edições possamos ouvir alguma música pop.
Na biografia escrita por Marius Jontvedt, presente no site da sua editora, diz que não frequentava clubes nocturnos, preferindo passar tranquilas noites na companhia da sua família. Esta ideia de conforto é uma das virtudes que a sua música transmite a quem a ouve. Pensa que o ambiente e o lugar onde a música é produzida acaba por influenciar a mesma, ou se a música for produzida nos centros onde tudo se passa como Londres, Berlim ou Nova Iorque a música será a mesma?
Penso que não é necessário se viver numa grande cidade como Nova Iorque, Berlim ou Londres para se fazer música, porque com o e-mail e a Internet é possível viver no meio de uma encosta de uma floresta e mesmo assim manter contacto com o mundo. Ainda hoje prefiro ficar em casa, quando não estou em estúdio. Não sou um “animal de festas”.
O que pode ser considerado um dia perfeito para si?
Acordar de manhã cedo, comer um bom pequeno almoço, descendo de seguida para o meu estúdio para fazer alguma música, um bom jantar e passar uma noite tranquila na companhia da minha família.
Fazendo uma retrospectiva, desde o primeiro máxi que lançou na Feedelity, passando pelo reconhecimento generalizado de público e crítica como um dos produtores mais influentes de música de dança da actualidade, o que mudou na sua vida?
Bem…nada mudou excepto o facto que mudei a minha bicicleta por um Mercedes Benz e comprei um castelo em França. Não…agora a sério. Não mudou muita coisa a não ser o facto de poder viver da música, o que é fantástico.
© 2006 BC