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18 de Maio 2007
Coliseu dos Recreios
Lisboa
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Autores de um dos discos de estreia mais aplaudidos de entre os muitos de bandas que reclamam a herança do pós-punk, "Silent Alarm", os londrinos Bloc Party editaram já este ano, um aguardado novo registo que para muitos confirma a maldição do "difícil segundo álbum".
Menos consensual, "A Weekend in the City" não deixa de ser interessante e mesmo algo subestimado, mas o facto de não ser tão refrescante como o seu antecessor, chegou para que alguns questionassem a consistência da banda. Tal dúvida terá, no entanto, ficado esclarecida para todos aqueles que puderam assistir ao concerto de ontem, que fechou a digressão europeia do grupo no Coliseu de Lisboa, tendo o jovem quarteto comprovado a sua solidez ao vivo e sobretudo, que as suas novas canções resultam bem melhor ao vivo.
Com um alinhamento que intercalou, de forma equilibrada, temas dos dois álbuns, o espectáculo começou de uma forma enérgica com “Song for Clay (Dissapear Here)”, que também é a faixa de abertura de "A Weekend in the City", e foi evoluindo num crescendo de intensidade, investindo, ora em episódios de elevada carga visceral, ora em belíssimos momentos mais apaziguados e introspectivos.
Amável e humilde, o grupo revelou uma entrega assinalável; o vocalista, Kele Okereke, chegou mesmo a dirigir-se várias vezes aos espectadores e encetou várias tentativas de diálogo em português, criando uma atmosfera acolhedora com diversos pontos de ebulição durante cerca de hora e meia.
Apesar das repetições a que é sujeito um pouco por todo o lado, ”Banquet” continua a ser um single arrebatador tanto em disco como ao vivo. Igualmente explosivos foram “Hunting for Witches”, “Like Eating Glass”, “The Prayer” e “This Modern Love”.
Pelo meio houve ainda tempo para momentos mais tranquilos: “I Still Remember”, “So Here We Are” e “Sunday” – um dos melhores momentos de "A Weekend in the City". A despedida fez-se ao som de “Pioneers”, o que permitiu um fecho repleto de uma notável envolvência emocional.
Sublinhe-se ainda o elegante trabalho de iluminação, que, apostando essencialmente em tons de azul e vermelho, assegurou a cenografia apropriada às particularidades das canções. Menos bem-vindos foram alguns problemas de som que vitimaram, com demasiada frequência, uma actuação de resto irrepreensível por parte de uma banda no auge.
”Just give me moments, not hours or days”, cantou Okereke em “Waiting for the 7.18”, pedido a que acabou por aceder ao participar numa série de muitos momentos marcantes, e certamente memoráveis para grande parte dos seus espectadores, ou não tivessem estado perante um dos grandes concertos do ano.
Antes dos quatro londrinos, o Coliseu recebeu os d3ö, que de Coimbra trouxeram um rock abrasivo e directo, porém sem grandes sinais de personalidade. O trio assinalou uma actuação empenhada e com conseguidos momentos de comunicação com o público, não deixando contudo especial curiosidade em relação às suas canções.
Mais inusitado foi o intervalo entre o fim do concerto do grupo e a chegada dos Bloc Party, que começou ao som de “Pump the Jam”, dos Technotronic, passando depois por algum house e techno de gosto duvidoso - e com direito a aviõezinhos telecomandados pelo meio -, mas eficaz na preparação de uma atmosfera animada e expectante. A espera, como se constataria mais tarde, valeria a pena. Para quem perdeu o concerto, poderá redimir-se e atestar a boa forma da banda, já no próximo dia 3 de Julho, no festival Super Bock Super Rock.

© 2007 GS