

Galeria Zé dos Bois
Lisboa
São apenas três mas ofereceram uma actuação que irradiou tanta energia como se fossem mais de uma dezena. Marina Ribatski, Rodrigo Gorky e Pedro D’Eyrot, os Bonde do Rolê, levaram ontem à Galeria Zé dos Bois, em Lisboa, as canções do seu álbum de estreia, "With Lasers", e convidaram à festa durante um concerto que, embora breve - durou pouco mais de quarenta minutos -, foi decorrendo com um considerável crescendo de intensidade.
Em disco, as experiências deste trio de Curitiba raramente convencem, assemelhando-se mais a devaneios, com tanto de curioso como de inconsequente, do que a canções bem esculpidas, mas ao vivo, o grupo confirmou os elogiosos epítetos que circulam na internet e fora dela, e que identificam no projecto uma sólida proposta de desafio dançante e hilariante.
Não convém, no entanto, ir para um espectáculo da banda sem se deixar qualquer noção de bom gosto à porta, pois quem se levar demasiado a sério poderá não partilhar do entusiasmo pelo desconcertante caldeirão de referências proposto.
Tendo como tronco estrutural as matrizes do baile funk, evidentes nos infecciosos beats que marcaram toda a actuação, os Bonde do Rolê cruzaram essas sonoridades de rua com riffs de heavy-metal de não muito boa memória ou versões bastante livres de canções emblemáticas de outros domínios.
Assim, não é de estranhar que pelo mesmo espectáculo tenham passado um excerto do famigerado "The Final Countdown", dos Europe, uma adaptação de "The Model", dos Kraftwerk, ou melodias herdadas de canções da banda-sonora de "Febre de Sábado à Noite" ou dos Alice in Chains.
Estas pilhagens musicais foram entrecruzadas com quase todos os temas de "With Lasers", que em palco receberam um tratamento ainda mais cru e directo do que no disco, gerando momentos de desvairadas rajadas sónicas. Foi o caso de "Office Boy", "Solta o Frango", "James Bonde" ou "Quero te Amar", esta última candidata a tomar o lugar de "Superafim", dos Cansei de Ser Sexy, como a mais recente canção brasileira que insiste em não se descolar dos ouvidos.
O trio, que ao longo da actuação pareceu querer suplantar os constantes picos de adrenalina, cedo convenceu uma sala esgotada e que não hesitou em aderir à desbragada montanha russa musical. A vocalista foi especialmente dinâmica, dançando e gritando com uma atitude despu- dorada e fisicamente esgotante – faltou energia no muito pedido, mas algo desapontante encore, que deixou em ponto morto um concerto que até aí decorreu em crescendo.
© 2007 GS